Residência veterinária: a melhor fronteira entre a sala de aula e a rotina clínica




Por Luca Scheidt e João Amadio


O número de médicos-veterinários no Brasil é surpreendente. Hoje somos o país com o maior número de veterinários ativos no mundo, com mais de 80 mil profissionais. Além disso, há mais de 411 IES (Instituição de ensino superior) que oferecem a graduação em medicina veterinária, o que faz com que o mercado veterinário brasileiro receba todos os anos cerca de 6 mil recém-formados, aumentando cada vez mais a concorrência na profissão.


E para se destacar, atualmente as especializações são vistas apenas como um diferencial. Entretanto, no futuro de nossa profissão ter uma pós-graduação será praticamente uma exigência para quem deseja ingressar no mercado veterinário, principalmente na área de pequenos, onde o maior número de profissionais está concentrado. Portanto, ter uma especialização é algo fundamental para que o médico-veterinário consiga chamar a atenção de tutores e empresários do setor.


O destaque no mercado almejado por muitos veterinários é algo que se inicia já na graduação. Por ser uma área muito ampla é praticamente impossível aprender tudo o que é necessário para a rotina de trabalho somente na faculdade.


Em entrevista para a escola de educação continuada veterinária VeteduKa (Curitiba/PR), o professor de anestesiologia Diogo Ferreira da Motta, formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e ex residente da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) afirma que não há tempo na graduação para o professor ensinar tudo o que sabe. “Acho impossível falar tudo de todas as áreas. Por exemplo, fiz um curso de pós-graduação de duração de dois anos e ainda faço cursos até hoje na área para me sentir preparado e atualizado". Confira entrevista completa no canal VeteduKa do Youtube: Clique aqui


A ruptura entre vida acadêmica e início da vida profissional é um desafio que vem se tornando cada vez mais difícil. A rotina de atendimento clínico é extremamente complexa e muitas das coisas que necessitamos saber para exercê-la não são abordadas durante a graduação. Pode-se dizer que é comum para um médico-veterinário recém-formado se deparar com um limbo após sua colação de grau. Esse período acaba sendo marcado por insegurança e frustração, já que a maioria dos recém-formados se sentem despreparados para encarar o mercado com a pouca experiência que possuem na rotina clínica e sem nenhuma especialização para aumentar suas chances de contratação.


A melhor opção

Nesse período turbulento e repleto de inseguranças, há uma luz no fim do túnel: os programas de residência veterinária. Sem sombra de dúvida, os programas de residência são uma das, senão a melhor opção, para os recém-formados que querem sentir na pele como é a real rotina de um médico-veterinário. Durante o programa, que tem duração de um a dois anos, os residentes são contemplados com a oportunidade de atender ocorrências reais de clínica veterinária e ao mesmo tempo estar sob supervisão de professores para sanar eventuais dúvidas que todo recém-formado pode ter ao iniciar a carreira.


Esses programas são divididos em duas categorias: os programas de residência multiprofissional em área da saúde regulamentados pelo Ministério da Educação (MEC), que ocorrem universidades federais e estaduais, e os programas de aperfeiçoamento profissional em medicina veterinária, que ocorrem em universidades particulares.


A principal diferença entre os programas de residência e de aprimoramento profissional, se dá pelo reconhecimento que as residências multiprofissionais regulamentadas pelo MEC possuem. Estas são orientadas pelos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), a partir das necessidades e realidades locais e regionais, diferente dos programas de aprimoramento, q