Oftalmologia veterinária em foco


Instituto Paranaense de Oftalmologia Veterinária é a primeira clínica na região de Curitiba (PR) com atendimento exclusivo da especialidade




Por Mariana Vilela, da redação


Inaugurado em março de 2020, no bairro Alto da Glória, o Instituto Paranaense de Oftalmologia Veterinária (IPOV) foi fundado pelas sócias, doutoras, médicas-veterinárias Ana Letícia Souza, Camila Bollmann e Manuella Sampaio. O estabelecimento recebe pacientes não só da região, como também de outros estados brasileiros, seja por indicação de outros veterinários ou clientes que procuram direto. Os pacientes que chegam por indicação de outros hospitais, clínicas e consultórios veterinários, quando finalizam o tratamento referente a oftalmologia, retornam ao estabelecimento que indicou caso necessário outros procedimentos ou exames de outras especialidades.



As médicas veterinárias, sócias do IPOV Camila Bollmann, Ana Letícia Souza e Manuella Sampaio.


Para os pacientes que chegam direto, sem indicação de outros veterinários, o IPOV tem uma parceria com o hospital veterinário Clinivet, onde atende também e encaminha casos em que os pacientes precisam de outros exames, internamento ou especialidades. Além de consultas oftalmológicas, o IPOV realiza cirurgias relacionadas à especialidade no local. “Como boa parte dos nossos pacientes precisam de algum procedimento cirúrgico, nós realizamos aqui mesmo por qualquer uma das sócias. Somente a cirurgia de catarata que é mais complexa e exige um treinamento mais específico e é realizada apenas pela Ana Letícia”, explica Camila.


Recepção conta com recepcionista, TV e balança


Há uma demanda do mercado e uma tendência na medicina veterinária que são as especialidades e o IPOV vem para atender. A veterinária Manuella, explica que não há em todas as instituições uma disciplina da especialidade de oftalmologia. “A UFPR é uma das poucas que oferece a disciplina e, ainda assim, a disciplina é por apenas seis meses e como optativa, não obrigatória. Então, os clínicos gerais saem das universidades sabendo pouco de oftalmologia e, com isso, na rotina clínica há essa necessidade de encaminhar para veterinários especializados ou especialistas. Além disso, com a conscientização dos tutores, há também a tendência da procura direta por um especialista como acontece no IPOV, onde os tutores já nos procuram direto”.


O IPOV foi inaugurado em um período de desafio, no dia 07 de março de 2020, quando estava iniciando a pandemia. “Na época pensamos que teríamos que fechar, mas por se tratar de um serviço essencial de saúde, mantivemos aberto. E foi algo que nos surpreendeu. Inclusive teve uma procura maior de pessoas com a justificativa de estarem em home office e, assim, poderiam cuidar de seus pets no pós-operatório, por exemplo. São dois anos de clínica, exatamente como são dois anos de pandemia”, comenta Camila.


Consultórios IPOV



Outro fator que faz aumentar a procura por oftalmologia são as raças mais populares hoje no Brasil. Camila diz que de acordo com o ranking da Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), muitas das raças mais populares no Brasil, têm predisposição às alterações oftalmológicas. “E na rotina clínica conseguimos ver isso ao atender as raças como shit tzu, lhasa, pug, bulldog”.


Camila explica também que, normalmente essas raças que são predispostas a essas alterações oftálmicas tendem a ter problemas desde cedo. “Alterações oftalmológicas não são necessariamente uma condição de animais com idade avançada. Então há cães com menos de um ano de idade que precisam passar por cirurgia. Por isso recomendamos que a primeira consulta seja no primeiro ano de vida do animal, pois se houver uma predisposição, a idade vai poder agravar e trazer mais problemas. E quando há predisposição, normalmente os animais jovens já manifestam alguns sintomas. Na ausência dessa predisposição, a tendência é que a idade seja o principal fator que traga alterações”.


Banheiro para clientes criativo e estiloso. Personalidade da clínica criada pela arquiteta Caroline Bollmann.


A rotina de banhos também pode causar alterações oftalmológicas, principalmente, por conta do momento da secagem. “Eles piscam muito menos que os seres humanos e o ressecamento na região pode causar irritações. A indicação é utilizar um lubrificante logo após o banho. Muitos tutores já se acostumaram a levar um frasco de colírio lubrificante para os banho e tosa e alguns estabelecimentos também já oferecem o colírio lubrificante para seus clientes para utilizar antes de secar. É muito comum os cães saírem do pet shop com úlcera de córnea ou alguma alteração, ou ainda o cão ficar com o olho muito ressecado após banho e secagem e podem machucar com mais facilidade. Já vi estabelecimentos negarem dar banho em cães que aparentavam ter alguma alteração oftalmológica e pedirem autorização do veterinário antes”.


Conhecimento na área

Pesquisar uma doença sistêmica por conta do olho, costuma ser um papel do oftalmologista veterinário, porque envolve um conhecimento bem mais profundo da parte de oftalmologia. “Os sinais clínicos de doenças oftalmológicas são muito parecidos entre várias afecções. Nesse caso é necessário mais conhecimento na área para diferenciar se aquela secreção ocular é só uma conjuntivite alérgica ou se está associada a uma ceratoconjuntivite seca, que pode estar relacionada a uma doença por exemplo. Há situações que só com conhecimento específico para saber diferenciar. Por isso é um desafio para os clínicos, por conta da inespecificidades dos sinais clínicos”, pontua Manuella.


A alteração ocular as vezes é o primeiro sinal que o tutor percebe de uma alteração do organismo. “E muitas alterações estão ligadas a alterações oculares sistêmicas. Então precisamos avaliar e entender do paciente como um todo”, ressalta Ana Letícia.


Além disso, é bastante comum que o paciente oftálmico não apresente apenas uma alteração. “Os olhos precisam de harmonia para estar bem, então, quando uma parte não vai bem, costuma desencadear uma série de problemas. Frequentemente nossos pacientes costumam ter mais de um diagnóstico. Uma alteração na córnea, que é a parte mais superficial do olho, pode desencadear alterações na parte interna, um verdadeiro efeito dominó. Isso também é desafiador, pois começamos a tratar uma alteração que sem o tratamento correto desde o início podem começar a causar outras alterações secundárias”, completa Camila.


Outro grande desafio é o tratamento oftálmico em casa, boa parte dos tratamentos são via colírio e, muitas vezes, o tutor tem dificuldades por conta do comportamento agitado do animal. “O olho é um órgão que tem a possibilidade de receber a medicação diretamente no local. Fazemos a prescrição e a parte difícil fica com o tutor em casa”, ressalta Camila. “Algumas vezes até recomendamos adestramento, reforço positivo, mas 50% do sucesso do tratamento fica por conta do tutor”, completa Manuella.


Fachada do IPOV em Curitiba



Especialista em oftalmologia veterinária

Para os veterinários que querem seguir na área há opções de programas de residência ou especializações. No Brasil, somente a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) oferecem residência na especialidade. Além disso, há diversos cursos de especialização pelo país.


E para receber o título de especialista em oftalmologia é preciso cumprir alguns pré-requisitos como, por exemplo, ter pelo menos oito anos de experiência atuando na área de oftalmologia, ter alguns trabalhos publicados, entre outros. O título é emitido pelo Colégio Brasileiro de Oftalmologistas Veterinários (CBOV), que faz a avaliação do candidato e aplica a prova. O CBOV é única instituição brasileira habilitada pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) para emissão do título de especialista em oftalmologia veterinária.


Ao apresentar todos os requisitos que pede o edital, o candidato pode fazer a prova que é dividida em teórica e prática. “O título de especialista é concedido somente pelo CBOV. Contudo, o veterinário que fizer a especialização ou residência, ambos em média com dois anos de duração, já pode atender como veterinário especializado em oftalmologia, só não pode se intitular especialista na área. Fazer curso de final de semana não dá direto de se intitular nem mesmo como especializado oftalmologista veterinário”, destaca Ana Letícia.
















Camila Bollmann, formada na Universidade Federal do Paraná (UFPR), residência no programa de oftalmologia veterinária (2015 e 2016) na mesma instituição.














Manuella Sampaio, formada na Universidade Federal do Paraná (UFPR), com residência no programa de oftalmologia veterinária, mestrado e doutorado pela UFPR, especialista em oftalmologia veterinária pelo CBOV.






Ana Letícia Souza, formada na Universidade Federal do Paraná (UFPR), residência em Clínica e Cirurgia de Animais de Companhia pela PUC-PR, mestrado e doutorado em Cirurgia Veterinária pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Unesp (Jaboticabal/SP), doutorado sanduíche na Universidade da Flórida (Gainesville / Estados Unidos), especialista em oftalmologia veterinária pelo CBOV.. Atualmente é responsável pelo serviço de oftalmologia veterinária na Clinivet, professora do curso de especialização em Oftalmologia Veterinária Qualittas(SP).


 

SAIBA MAIS


Título de Especialista


Prova de Especialista

O Colégio Brasileiro de Oftalmologia Veterinária – CBOV, foi habilitado pelo CFMV, em 11 de Dezembro de 2018 (Resolução CFMV 1.245), para concessão do Título de Especialista em Oftalmologia Veterinária. Para concessão do título, o CBOV convoca os candidatos interessados em prestarem a Prova de Título de Especialista em Oftalmologia Veterinária, promovida por este Colégio. A referida prova, conferirá ao aprovado o título de Especialista em Oftalmologia Veterinária, a ser homologado pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), mediante as condições estabelecidas neste Edital e na Resolução CFMV n.935. VIDE ABAIXO


Poderão se inscrever para o Exame de Especialista, os candidatos que preencherem os seguintes pré-requisitos:


1) Graduação em Medicina Veterinária e registro ativo no CRMV.

2) Ter publicação, como autor ou co-autor, de dois (2) artigos científicos na área de oftalmologia e em revista indexada em bases eletrônicas de qualidade científica (Qualis Capes A1, A2, B1, B2);

verifique em: https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/veiculoPublicacaoQualis/listaConsultaGeralPeriodicos.jsf

No Evento de Classificação, selecionem CLASSIFICAÇÕES DE PERIODICOS QUADRIÊNIO 2013-2016; coloquem MEDICINA VETERINARIA na área de avaliação, e preencham com o nome da revista OU o ISSN da mesma.

3) Comprove pelo menos 05 (cinco) anos para os que possuírem os títulos de Doutorado ou Pós-Doutorado ou, 08 (oito) anos para os que possuírem os demais títulos de atividades em Oftalmologia Veterinária, em Instituições governamentais ou privadas, reconhecidas pelo CBOV como adequadas para o seu treinamento.


Fonte: https://www.cbov.org.br/especialista.ph