Atenção veterinário: Feche os olhos e respire!


Seus pacientes, clientes, colegas, familiares e amigos precisam que você cuide de si mesmo antes de começar a rotina clínica. E lembre-se que você também é o amor de alguém



Por Mariana Vilela, de Curitiba (PR)


A rotina agitada devido aos diversos compromissos relacionados a trabalho, estudos, família, entres outros, pode ser bem estressante e prejudicar muito a saúde, tanto a física quanto a mental. Isso pode ainda acontecer de forma silenciosa, sem que percebamos. Prestar atenção a alimentação, praticar exercícios com frequência, fazer um check up com regularidade e cuidar da mente são itens importantes que devem fazer parte do dia a dia de qualquer pessoa. Entrar no modo automático pode trazer sérios danos a qualidade de vida. É importante fazer o exercício diário de tentar trazer a mente para o momento presente. Apesar de não ser uma tarefa fácil, ajudará a controlar o estresse.


E como consequência desse caos em que vivemos, um dado alarm ante foi publicado recentemente (Dezembro de 2018) em estudo* na revista científica Journal of the American Veterinary Medical Association (JAVMA). Três décadas de pesquisa do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) revelam que a taxa de suicídio é 3,5 vezes mais alta entre médicos-veterinários, se comparado ao restante da população, que não trabalha na área da saúde.


Ansiedade e depressão são consideradas comuns entre os profissionais da área de saúde, pessoas que trabalham diretamente com cuidados ou sofrimento de humanos ou animais. Longas jornadas de trabalho, as expetativas dos clientes em relação aos cuidados, os procedimentos de eutanásia, as responsabilidades de gestão das clínicas e o desiquilíbrio entre a vida pessoal e profissional são fatores que podem levar o veterinário a problemas emocionais e a doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, entre outras.



MENTE SÃ, CORPO SÃO

A psicóloga Joelma Ruiz, de São Paulo (SP), destaca que é preciso cuidar de quem cuida. “Precisamos voltar a atenção para os médicos-veterinários, que em alguns casos não são bem remunerados pelas jornadas intensas de trabalho, lidam com fortes emoções dos clientes, dos colegas, colaboradores ou gestores. É preciso criar uma rede de apoio entre nós para compartilhar as dificuldades da rotina. Inaugurei meu consultório achando que atenderia principalmente familiares que perderam seus animais de estimação. Assim escolhi o local no meio das grandes UTIs veterinárias de Moema, na Capital Paulista. Porém, para minha grande surpresa, 90% dos meus pacientes são veterinários em busca de ajuda. Eles chegam quando já estão esgotados e a ponto de desistir da veterinária. O ideal é procurar ajuda antes de chegar a esse ponto”, alerta.


Atualmente há um número maior de pessoas cuidando da alimentação e da estética do corpo, porém muitas estão exaustas emocionalmente. “Se não olharmos por elas, chegará uma hora que não haverá mais nada para oferecer, pois não há como dar o que não se tem. Não adianta ter grandes centros com estrutura, tecnologia para diagnóstico, treinamento técnico, se o veterinário não estiver preparado emocionalmente para atender os clientes. É preciso saber que cada pessoa tem uma maneira diferente de entender e reagir ao estresse. E o que é um gatilho de estresse para um, pode não ser para outro. Os estímulos que estressam são subjetivos e individuais, e podem parecer pequenos, como um objeto fora do lugar, por exemplo”, explica Joelma.


Síndromes laboriais, como a Síndrome de Burnout, estão cada vez mais comuns entre os veterinários. De acordo com a psicóloga, a exaustão emocional é causada por estresse crônico associado ao trabalho e não acontecem da noite para o dia. “Nós seres humanos

conseguimos nos adaptar com o que não nos faz bem por necessidade. A culpa não é da medicina veterinária e, sim, da falta de autoconhecimento e autocuidado. Uma paciente minha, que é veterinária, não gosta de falar de trabalhar de madrugada e tem dificuldades em falar de morte, porque é fisiológico, o organismo dela não reage bem. Mas ela trabalha em plantões dentro de UTIs e hospitais. É uma agressão diária para o corpo e emocional dela. No caso dessa paciente seria importante que ela trabalhasse de dia e não em UTIs onde a morte é mais presente. É preciso ter autoconhecimento para entender o que o nosso

organismo aguenta e o que ele não da conta”, ressalta.


E como reconhecer alguém em estado emocional crítico? Joelma explica que a pessoa com exaustão emocional perde a energia para tudo, perde o interesse e, como consequência, cai sua produtividade e, em seguida, começam os erros e conflitos dentro e fora do trabalho. “Todas as pessoas podem ter dias que não estão bem e preferir a cama do que o trabalho. Mas quando isso começa a ser constante, isso significa que a pessoa se acostumou com o que não faz bem”, afirma e completa: “Desde a graduação o veterinário é treinado a salvar vidas, a se especializar, a se atualizar, a sempre ter uma resposta, a trabalhar por horas, no entanto, ninguém é super herói, somos humanos. Ser resiliente não é ter que aguentar tudo e, sim, aprender com os erros e tropeços, evoluir e crescer. A resiliência não pode ser confundida com fraqueza. É preciso entender que se você não consegue aguentar aos plantões de 16 horas, para que se submeter a isso? Permita-se se aproximar do há de melhor em você, pois todos nós possuímos uma habilidade e podemos encontrar nosso propósito de trabalho”.


E como obter o equilíbrio emocional? Encontrar um hobby, algo que goste de fazer, é a primeira dica de Joelma, pois cada um tem uma forma de lidar com o estresse. “Seja uma atividade relacionada a música, ou esporte, leitura, qualquer coisa que te faça relaxar fora da medicina veterinária. Pequenos momentos podem fazer a diferença, não precisa ser algo de horas e de alto custo, o cérebro só precisa entender que saiu da rotina. Além disso, há muitos vídeos no Youtube com meditação em um minuto que ajudam muito a respirar e controlar o estresse. E não é vergonha nenhuma precisar de ajudar profissional, de um psicólogo ou psiquiatra ou ambos. Conhecer a si mesmo é uma forma de prevenir doenças”.






COMO SABER QUE NÃO ESTOU BEM E PRECISO DE AJUDA?


  • Gerenciamento do estresse: fazer uma autoavaliação de si mesmo e identificar os estímulos que te estressam, que são subjetivos e individuais, e podem parecer pequenos, como um objeto fora do lugar, por exemplo;


  • Avaliação negativa de si mesmo;


  • Se julgar incapaz de fazer atividades da rotina que está acostumado;


  • Dificuldade de concentração;


  • Diminuição do rendimento profissional;


  • Sentir desencorajado ou abatido;


  • Sentimento de impotência para resolver os problemas;


  • Conflitos com outras pessoas dentro e fora do trabalho


  • Diminuição do estado geral de saúde;


  • Enxaqueca;


  • Dores musculares;


  • Insônia;


  • Baixa autoestima;


  • Exaustão;


  • Irritabilidade;


  • Diminuição da compaixão pelo outro.


FONTE: PSICÓLOGA JOELMA RUIZ

www.joelmaruiz.com.br



Trecho Reportagem Capa da Edição de Dezembro/2019 da Revista Vet&Share. Confira texto na íntegra em: Edição 60

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