Desafios na atuação da medicina veterinária de urgência e emergência

Por Diogo da Motta Ferreira*

É comum recebermos avisos de novos cursos sobre emergência e urgência veterinária ou ainda participarmos de eventos acadêmicos/científicos voltados a área, mas na verdade essa especialidade é relativamente nova, portanto, ainda existem muitos desafios enfrentados diariamente pelos profissionais que se dedicam a esses pacientes.

O atendimento de urgências e emergências requer um conhecimento técnico específico, não podemos dizer que esse conhecimento é detido apenas por especialistas da área, mas é importante notar que, na maior parte dos currículos de graduação das universidades que oferecem o curso de medicina veterinária, não encontramos uma disciplina específica para o estudo das emergências. Muitas vezes, essas situações clínicas são discutidas como trechos de outras disciplinas como Clínica Cirúrgica ou Clínica Médica, e isso deixa de fora a discussão de temas muito importantes.



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Esse cenário, no entanto, vem mudando. Muitas instituições de ensino superior já estão adotando uma disciplina, seja como grade curricular ou optativa, de emergência. Além disso, cursos de pós-graduação e atualização veterinária têm apostado muito nessa área, disponibilizando cursos e conteúdo no formato presencial ou como ensino a distância, que tem sido correspondido com uma boa aceitação pelos alunos.

Todos sabemos que os insumos e equipamentos necessários para o atendimento veterinário têm um custo de investimento por parte dos profissionais. A área de emergência não é uma exceção, entretanto, o atendimento inicial requer poucos insumos ou equipamentos, após esse atendimento inicial é que o investimento realmente é mais impactante.


“Outro fator a ser considerado e que muitas vezes acaba sendo esquecido é a carga emocional dessa especialidade”


Equipamentos de análises laboratoriais, de monitoração como monitores multiparamétricos, hemogasometria, ventilador mecânico, entre outros, aumentam o repertório para diagnóstico e terapias, mas requerem um investimento inicial importante, além, obviamente, de qualificação técnica para analisar todas as avaliações obtidas e manejar os equipamentos. Não é necessário obter todos esses equipamentos para realizar o atendimento inicial, mas é importante compreendermos as limitações da nossa rotina e, quando necessário, indicar que o prosseguimento do tratamento seja realizado em outro local com mais estrutura. Em contrapartida, os centros de atendimento especializados devem manter o médico-veterinário que indicou a terapia ciente da evolução do paciente e sobre as necessidades de mudanças terapêuticas.


Outro fator a ser considerado e que muitas vezes acaba sendo esquecido é a carga emocional dessa especialidade. O médico-veterinário, atuante nas áreas de clínica, cirurgia e anestesiologia, convivem com a luta entre a vida e morte. Os especialistas da área de urgência e emergência veterinária também convivem com essa realidade. Apesar do conhecimento estar crescendo na área e de que é cada vez mais fácil o acesso a novas tecnologias, um fato permanece imutável: não é possível salvar todos os pacientes, apesar de nossos esforços. Aprender a lidar com esse fardo faz parte da rotina dos especialistas dessa área. Muitos profissionais embarcam em longas jornadas de trabalho esgotando-os fisicamente, mas nada comparado ao peso das perdas de pacientes ao longo dos anos de trabalho. Além de oferecer um serviço eficiente, os centros de atendimento especializados precisam considerar o desgaste emocional de seus profissionais e promover ações que melhorem seu ambiente de trabalho. Existem iniciativas inovadoras, que vão desde manter uma área recreativa que pode ser utilizado em intervalos durante a jornada de trabalho, a acompanhamento da equipe por psicólogos. Essas ações deverão ser cada mais frequentes visto o aumento da rotina da emergência, as longas jornadas de trabalho da área e a constante necessidade de atualização.



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