Classificação normativa e mercadológica dos alimentos pets

Por Ana Chizzotti*


O segmento pet é um dos que mais cresce a cada ano no Brasil, sendo o setor Pet Food responsável por cerca de 73% do faturamento da área. Nos últimos anos houve incremento na qualidade dos alimentos para os animais de estimação. A evolução tecnológica e as pesquisas na área de nutrição animal são essenciais para a formulação de dietas cada vez mais completas, balanceadas e adequadas para as necessidades dos animais.



Crédito: divulgação


O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) é o responsável pela regulamentação e fiscalização dos alimentos para cães e gatos no Brasil, e segue a seguinte classificação dos alimentos secos ou úmidos:


Alimento completo: capaz de atender integralmente suas exigências nutricionais, podendo possuir propriedades específicas ou funcionais.


Alimento coadjuvante: destinado à alimentação de animais com distúrbios fisiológicos, capaz de atender integralmente as exigências nutricionais e cuja formulação seja incondicionalmente privada de qualquer agente farmacologicamente ativo;


Alimento específico: produto com finalidade de diversão, agrado, prêmio, recompensa ou petisco, e que não se caracteriza como alimento completo, ou seja, não atende às necessidades totais diárias do animal;


Entre os alimentos completos, se conhece classificações mercadológicas: "Standarts", “Premium”, “Premium Especial” e “Super Premium”. Embora popularmente conhecidas, não são oficializadas e fiscalizadas por nenhum órgão regulatório, porém possuem características bastante específicas.


Enquanto os alimentos Standard atendem aos requisitos mínimos específicos para a fase da vida e espécie e matérias-primas com qualidade inferior, as demais categorias há um crescente aumento de níveis de garantia, além da seleção das matérias primas. As principais características das demais categorias são:


Premium: possui bom custo-benefício, normalmente possui farinha de carne e ossos e pode se ter uma composição variável alimento, tem um maior enriquecimento nutricional que a categoria anterior.


Premium Especial: com matérias primas selecionadas e maior aporte de proteínas, lipídios, vitaminas e minerais, também conta com a inclusão de aditivos funcionais como prebióticos, ômegas 3 e 6 e fibras especiais (extrato de yucca e polpa de beterraba), que melhoram a digestibilidade e o aproveitamento do alimento. Não há variabilidade da formulação. Devido ao seu teor energético possui necessidade de consumo menor que o categoria Premium.


Super Premium: com digestibilidade muitas vezes superior a 90% em função da alta qualidade da matéria prima. Os ingredientes usados nesta categoria chegam ao padrão de qualidade da alimentação humana e também são usados alimentos funcionais, ricos em nutrientes que trazem benefícios à saúde do pet e ajudam a prevenir doenças. Atende a nichos de mercado como sem transgênicos, naturais, grain-free e outros. Com alto nível de energia metabolizável, acima de 4.000 kcal/kg, diminui a ainda a recomendação diária de consumo.


O conceito de nutrição está se expandindo para além da fronteira das necessidades nutricionais, mas também para alimentos que promovam bem-estar, melhora de saúde e redução do risco de doenças. Estes alimentos refletem os avanços nas pesquisas em nutrição de animais de companhia.


Referência bibliográfica

ABINPET - Associação Brasileira da Industria de Produtos para Animais de Estimação. Dados de mercado – Disponível em: http://abinpet.org.br/. Acesso em: 16 mai. 2022.

BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa no 9, de 09 de julho de 2003. Regulamento técnico sobre fixação de padrões de identidade e qualidade de alimentos completos e de alimentos especiais destinados a cães e gatos. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 14 de julho de 2003.

CASE, L. P.; CAREY, D. P.; HIRAKAWA, D. A. Geriatria. In: Nutrição canina e felina. Manual para profissionais. Madrid: Hacoutr Brace. p. 227-243, 1998.

CARCIOFI, A. C. et al. Qualidade e digestibilidade de alimentos comerciais de diferentes segmentos de mercado para cães adultos. Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal, Belo Horizonte, v. 10, n. 2, 2009.

NACIONAL RESEARCH COUNCIL Nutrient Requirements of Dogs. National Academy Press. Washington, 1985.



*Ana Chizzotti

Coordenadora técnica Granvita, médica-veterinária

com mestrado em Nutrição de Cães e Gatos pela

Universidade Federal de Lavras (UFLA/MG)