Mercado competitivo não deve ser motivo para insatisfação profissional


Por Gabriela Mura*

Para quem não conhece, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) disponibiliza através do Sistema de Cadastro de Profissionais e Empresas (SISCAD), o número de profissionais registrados nos Conselhos Regionais de cada Estado, com exceção de Minas Gerais que não aderiu ao sistema. Contudo, a COMAC colheu os dados diretamente do CRMV-MG.

Considerando o mês de agosto de 2017, o país conta com 123.929 médicos-veterinários ativos distribuídos nas mais variadas áreas de atuação. Esse número vem crescendo à medida que os cursos de graduação em medicina veterinária crescem. Atualmente, de acordo com o banco de dados do Ministério da Educação (MEC) são mais de 240 cursos que injetam anualmente no mercado cerca de 5 mil recém-formados.

Comparado aos demais países do mundo, o Brasil é campeão em número de cursos e profissionais e algumas questões nos vêm à cabeça. Mesmo sabendo que a profissão nos possibilita atuar em mais de 80 áreas distintas existe mercado capaz de absorver esse número expressivo e crescente de profissionais?

Periodicamente, a COMAC realiza pesquisas com veterinários e estudantes em eventos direcionados aos profissionais que atendem pequenos animais, área que sabidamente é aquela que atrai mais de 60% da classe e procura entender o grau de satisfação e as expectativas com a profissão.

Os resultados ainda se mostram surpreendentes considerando que 96% dos profissionais que atendem os pets estão totalmente ou parcialmente satisfeitos com a profissão e a área de atuação escolhida, mas quando falamos em remuneração, apenas 37% estão satisfeitos. Quase a metade dos entrevistados, 43%, citam a falta de valorização profissional como a principal dificuldade enfrentada na carreira.

Não é transferindo a responsabilidade do fracasso para os clientes ou a crise econômica do país que o veterinário ganhará seu lugar ao sol. Nesse mercado, cada vez mais competitivo, existe muito espaço para o profissional diferenciado, especializado e atualizado e é exatamente este veterinário que, de acordo com as pesquisas, se sente reconhecido, porque o cliente e os colegas valorizam a oferta de um serviço especializado, exclusivo e de qualidade.

Para os cursos de veterinária, a regra não muda. Cabe a eles orientar seus alunos em busca da especialização, formando profissionais aptos a preencher os espaços ainda vazios desse grande mercado.

*Por Gabriela Mura, responsável pelo Marketing da Comissão de Animais de Companhia (COMAC) do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Anima (SINDAN)

Artigo publicado na edição 34 (Outubro de 2017) da Revista Veterinary&Science Vet Pet Business

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